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Segurança de dados: por que você é o alvo preferido dos golpistas (e o que fazer agora)

Se você abre um grupo de família ou troca ideia com os vizinhos, é quase certo que já ouviu alguma história assim: o pedido de Pix urgente que chegou pelo WhatsApp, o e-mail do banco que parecia verdadeiro, a cobrança inesperada no nome de alguém.

Não vou fingir que recebo relatos assim todo santo dia, porque não recebo. Mas as estatísticas a seguir não são exagero de marketing. São números reais, levantados por instituições sérias, e mostram que essas histórias são bem mais comuns do que a gente gostaria.


Resumo rápido:

  • O Brasil concentra 43% dos ataques de phishing da América Latina, com 553 milhões de tentativas bloqueadas em 12 meses.

  • O país lidera o ranking mundial de vazamento de cookies: mais de 7 bilhões de arquivos brasileiros expostos.

  • Cerca de 1 em cada 4 brasileiros já perdeu dinheiro com golpe digital nos últimos 12 meses.

  • O WhatsApp é o canal usado em quase 65% dos golpes que circulam hoje no Brasil.

  • Existem 5 hábitos simples que reduzem a maior parte desse risco, sem exigir conhecimento técnico.


O Brasil é o principal alvo de phishing da América Latina

O Brasil concentrou 43% de todos os ataques de phishing registrados na região entre 2024 e 2025, segundo a Kaspersky. Só no país, foram 553 milhões de tentativas bloqueadas em 12 meses, um crescimento de cerca de 80% em relação ao período anterior. Isso equivale a 1,5 milhão de tentativas por dia.

O motivo, segundo a própria Kaspersky, não é mistério: somos o maior mercado da região, com alta adesão a serviços digitais e educação digital ainda baixa. Essa combinação vira um convite para o golpista.

E o canal preferido para espalhar isso tem nome: o Observatório Lupa analisou os golpes que circularam entre maio de 2025 e abril de 2026 e constatou que o WhatsApp foi o principal meio de disseminação em quase 65% dos casos. A Serasa chegou a um número parecido olhando por outro ângulo: o aplicativo aparece em cerca de 40% dos casos que envolvem engenharia social especificamente. Ou seja, não é só e-mail suspeito. É mensagem de contato conhecido, é grupo de família, é ligação que aparece logo depois de uma mensagem.


Você não precisa ser "ruim de internet" para vazar dado

Um levantamento da NordVPN colocou o Brasil em 1º lugar entre 235 países no vazamento de cookies: mais de 7 bilhões de arquivos brasileiros expostos na dark web, dos quais cerca de 550 milhões continuam ativos. Cookie ativo é praticamente uma chave de casa emprestada: ele guarda seu login e pode deixar um criminoso entrar na sua conta sem precisar da sua senha, e às vezes sem acionar a verificação em duas etapas.

Isso não depende de você ter clicado em nada suspeito. Muitas vezes o vazamento acontece no site ou serviço que você usa, não no seu celular.


Golpe digital não é "coisa de idoso e de desatento"

Existe a ideia de que golpe digital pega mais quem é mais velho e menos familiarizado com tecnologia. Os números do DataSenado, numa pesquisa com quase 22 mil pessoas, mostram outra realidade: 27% das vítimas têm entre 16 e 29 anos, contra 16% acima de 60 anos. Cerca de 1 em cada 4 brasileiros já perdeu dinheiro com algum golpe digital nos últimos 12 meses.

O que muda é o tipo de isca. Jovens caem mais em promessa de emprego fácil e ganho rápido. Pessoas mais velhas são mais visadas por golpes que imitam central de atendimento de banco ou clonagem de cartão. O denominador comum nos dois casos é o mesmo: alguém te convence a agir rápido, sem pensar.


Como se proteger: 5 passos que funcionam

A maioria dos golpes depende de um erro humano, e erro humano se previne com hábito, não com curso de tecnologia.

1. Ative a verificação em duas etapas em tudo. WhatsApp, e-mail, redes sociais, banco. A Cartilha de Segurança do CERT.br tem um fascículo inteiro só sobre isso, com o passo a passo pensado para qualquer pessoa, não só para quem entende de tecnologia. No WhatsApp especificamente, configure também um PIN de segurança: veja como na Central de Ajuda oficial do WhatsApp. Isso dificulta que alguém tome sua conta mesmo se conseguir seu código.

2. Nunca compartilhe código de verificação. Esse é o principal jeito de invadir conta hoje. Golpista liga ou manda mensagem se passando por suporte e pede o código que chegou no seu SMS. Nenhuma empresa séria pede isso, inclusive o próprio WhatsApp deixa isso claro na mesma página de verificação em duas etapas linkada acima.

3. Desconfie de urgência. "Preciso de Pix agora", "é urgente", "não posso esperar". Urgência é a ferramenta preferida do golpista. Se alguém pedir dinheiro com pressa, mesmo que pareça familiar, pare e confirme por outro canal, como uma ligação de vídeo.

4. Use senhas fortes e diferentes entre si. Parece básico, mas segue sendo uma das defesas mais eficazes. O mesmo fascículo do CERT.br sobre autenticação traz um jeito simples de criar senha forte sem precisar decorar nada: escolher três palavras aleatórias e misturar com número e símbolo. Evite datas e sequências óbvias, e nunca repita a mesma senha em serviços diferentes.

5. Limpe seus rastros de navegação com regularidade. Já vimos que cookie vazado é porta aberta. Se você usa o Google Chrome, a Central de Ajuda oficial do Google mostra o passo a passo para apagar dados de navegação, cache e cookies em poucos cliques. Fazer isso de tempos em tempos reduz o que fica disponível para um criminoso explorar.


Perguntas frequentes sobre segurança de dados

O que é engenharia social e por que ela é tão perigosa? É quando o golpista manipula você, não o sistema. Em vez de invadir tecnicamente um computador, ele te convence a entregar a senha, o código ou o Pix. Funciona porque explora confiança, medo e urgência, sentimentos que todo mundo tem. Não precisa ser especialista em tecnologia para cair; precisa ser humano.

Como saber se meus dados foram vazados? Ferramentas como o Have I Been Pwned (haveibeenpwned.com) permitem checar se seu e-mail aparece em vazamentos conhecidos. Se aparecer, troque a senha dos serviços ligados a esse e-mail.

Vale complementar com o Registrato, sistema gratuito do Banco Central. Ele não checa vazamento de e-mail, mas mostra se existe conta, empréstimo ou chave Pix aberta no seu CPF sem você saber, o que costuma ser sinal de fraude de identidade. Para acessar, você precisa de conta gov.br nível prata ou ouro: faça login no site, escolha o relatório que quer consultar (contas em bancos, empréstimos, chaves Pix) e o sistema gera o documento na hora.

Cobrança indevida, e-mail estranho e ligação suspeita também são sinais de alerta.

O que fazer se eu cair em um golpe? Não se culpe, isso acontece com muita gente. Avise família e amigos para não fazerem transferência achando que é você pedindo. Registre boletim de ocorrência. Comunique o banco se houve movimentação indevida. Se foi no WhatsApp, tente recuperar a conta pelo próprio aplicativo. O importante é agir rápido; quem é criminoso ali é o golpista, não você.

A LGPD me protege de verdade? A Lei Geral de Proteção de Dados existe e importa, mas ela não impede vazamento, ela cria regra e penalidade para quem descumpre. A proteção real vem de somar a lei com hábito de segurança. A lei sozinha não segura a sua senha.


Segurança de dados não é assunto de técnico

É assunto de todo mundo que usa celular, acessa banco pela internet ou responde mensagem no WhatsApp. Isso inclui você.

Não precisa virar especialista. Precisa adotar alguns hábitos simples e, principalmente, desconfiar um pouco mais: de urgência, de pedido de dinheiro, de link que chegou do nada. A maioria dos golpes só funciona se você colaborar, e não colaborar é simplesmente não fazer o que o golpista está pedindo.


Precisa de ajuda para entender melhor como se proteger? Sem pressão, sem venda, só uma conversa. Fale comigo pelo WhatsApp e a gente vê juntos o que faz sentido para você.



Nelson Filho, facilitador digital, mais de 20 anos em TI, Ciências Sociais pela UERJ.


Fontes:


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